sábado, 31 de janeiro de 2009

CLÁSSICOS DA POESIA

Companheiros
Mia Couto

quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero ser
a estrada marinha
que prossegue depois do último caminho
e quando ficar sem mim
não terei escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados
deixo
a paciência dos rios
a idade dos livros
mas não lego
mapa nem bússola
porque andei sempre
sobre meus pés
e doeu-me
às vezes
viver
hei-de inventar
um verso que vos faça justiça
por ora
basta-me o arco-íris
em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viverdes de menos
mas que permaneceis sem preço
companheiros

colaborou Assis Horta - parceiro de Terapia

3 comentários:

  1. Assis vem com poesia de classe. Qualquer dia deste ele manda uma de Maiakovsky. Beleza a simbologia da eterna busva dos entido humano.

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  2. Anônimo, você pediu está aí:
    Na primeira noite
    eles se aproximam
    E colhem uma flor
    De nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite,
    já não se escondem :
    Pisam as flores,
    Matam nosso cão,
    E não dizemos nada.
    Até que um dia,
    O mais frágil deles,
    Entra sozinho em nossa casa,
    Rouba-nos a lua e,
    Conhecendo nosso medo,
    Arranca-nos a voz
    da garganta.
    E porque não dissemos nada,

    já não podemos dizer nada.

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